Pensamento Interativo

O digital invadiu o real:
a palavra da vez é integração.

Em pleno século XXI, a desigualdade ainda está muito presente no cotidiano, e muito disso é retratado na publicidade: desigualdade racial, regional, de gênero, dentre tantas outras. Mas por que será que a maioria das marcas ainda utilizam esses recursos para vender e quais são as repercussões que essas propagandas vêm causando nas redes sociais?

Grandes marcas como Burger King, Sky e Tom Ford já fizeram propagandas consideradas sexistas, mostrando mulheres em cenas sensualizadas e depreciativas. Em resposta a essas práticas, em 2016, um grupo de feministas norte-americanas criou o projeto #WomenNotObjetcs, com intuito de acabar com a objetivação feminina na publicidade. A campanha, que reúne e denuncia propagandas sexistas, foi bastante comentada nas redes sociais, atingindo mais de 23 mil curtidas no Facebook e 3 mil seguidores no Twitter.

Outra campanha que vai contra a desigualdade de gênero na publicidade, também idealizada nos EUA, é a #ThisOpressesWomen. Criada em 1969 pela marca Redstockings, ela consistia em colar post-its com a hashtag em cima de anúncios que denegriam a imagem das mulheres nas estações de metrô de Nova York.

O projeto, que foi retomado há alguns anos, ainda segue o mesmo conceito, e, atualmente, a hashtag é muito usada no Instagram, para mostrar principalmente a indignação das mulheres ao verem esse tipo de anúncio espalhados pela cidade.

Como visto, não é de hoje que a desigualdade está presente na publicidade. Em 2012, uma marca de cosméticos brasileira fez uma grande ação de marketing esperando que fosse ser um sucesso, porém, não foi bem isso que aconteceu. Nas redes sociais, a campanha teve uma repercussão negativa, e, a hashtag #EuNãoPrecisoDeCadiveu , criada por mulheres crespas e cacheadas que consideraram a ação racista, foi bastante utilizada nas plataformas digitais.

Segundo estudo realizado pela agência Heads Propaganda em outubro do ano passado, 80% dos comerciais são feitos por pessoas de pele branca, 26% reforçam estereótipos sobre homens e mulheres e 74% não ajudam na igualdade dos gêneros.

Este tema está sendo tão discutido atualmente que outras grandes marcas estão fazendo campanhas justamente aprovando a igualdade de gêneros. A Nike foi uma delas. A marca criou uma ação de marketing empoderando mulheres russas, principalmente agora que elas estão passando por tempos difíceis, por conta da aprovação da lei deixa de punir homens que as agridem no país.

Outra marca que disse não à desigualdade entre homem e mulheres foi a Boticário. Em sua campanha de Dia dos Namorados de 2015, a marca criou um anúncio no qual todos os paradigmas foram quebrados. A marca enfatizou os mais variados tipos de amor, entre todos os sexos.

Esses estereótipos tão enfatizados na publicidade fazem com que muitas mulheres questionem sua real beleza e seu real valor. Por isso, a Dove criou uma série de campanhas mostrando como as mulheres realmente se sentem e como elas se veem por conta dessas propagandas veiculadas nas mídias. Um desses anúncios foi a “Escolha Bonita”.

Muito debatido nas redes sociais, o assunto tem se tornado pauta em muitos eventos. O Festival Internacional de Criatividade de Cannes, que acontecerá em junho deste ano, irá advertir os jurados que aprovarem propagandas consideradas sexistas ou de qualquer tipo de desigualdade.

Esse tipo de publicidade, infelizmente, não vai deixar de existir por enquanto. Muitas marcas ainda se utilizam do machismo, sexismo e racismo para vender. Por outro lado, as empresas que são conscientes desenvolvem um papel muito importante para  que, com sua visibilidade, seja possível aos poucos mudar a visão daqueles que ainda precisam desrespeitar determinados grupos para se destacar.

A publicidade inteligente não precisa de desigualdade.

O que pode ser feito já está sendo feito, que é utilizar as redes sociais para tentar acabar com isso. A criação de campanhas e projetos online são as vozes que estavam faltando.
O Facebook, Twitter, Instagram e tantas outras redes sociais não servem só para a ação das marcas: elas servem também para que os clientes e não clientes sejam ouvidos. Use sua voz e apareça!

Quem escreveu:

dizain
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